Guerrilha Cultural


Programe-se e participe!!

Foto: Marcelo Lyra

Tem muita coisa acontecendo e que é pouco divulgada. Vamos tentar divulgar aqui boa parte do que acontece no cenário cultural brasiliense. Se souberem de alguma coisa, a casa é nossa, divulguem também. Música, teatro, cinema, artes plásticas... Quase tudo de graça. Vamos lá?

 

Artes Plásticas

Marcos França expõe e abre oficina no foyer da Martins Pena

A partir do dia 05 de outubro estará aberta a exposição “Visão Plástica”, de Marcos França, no foyer da sala Martins Pena do Teatro Nacional Claudio Santoro. A entrada é franca. Durante os dias da mostra, o artista estará ministrando oficina de desenho e pintura. As oficinas acontecem nas sextas-feiras, 08 e 15, das 15h às 18h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas diretamente com o artista.

Espaço Cultural 508 Sul

Primeira Mostra de Cinema Uruguaio

A programação faz parte do projeto Conheça o Mundo no Espaço, do Espaço Cultural Renato Russo e a entrada é de graça.

Confira a programação:

   Dia: 4
Horário: 19h0
Filme: Uma Forma de Bailar, direção de Alvaro Buela
Sinopse
Produção: Uruguaia
Ano: 1997
Duração: 70 minutos
Direção: Alvaro Buela
Elenco: Leonardo Lorenzo, María Elena Perez, Diego Wajner, Susana Castro, Alejandra Wolf, Jenny Goldstein, María Mendive, Jenny Galvan e Luis Orpi.

  Dia: 5
Horários: às 12h30 e às 19h
Filme: Uma Chamada para um Carteiro, direção de Pommerenck
Sinopse
Produção: Uruguaia
Ano: 2001
Duração: 90min
Direção: Bummell Pommerenck
Elenco: Andrea Davidovics, Ariel Cardarelli, Sandra Américo, Gabriela Iribarren, Miriam Gleiger, Lucía Sommer, Fernando Dianesi, Varina De Cesare, Gabriel Hermano, Oskar Apretó (ciñió), Alicia Garategui, Germán Millich, Raúl Fumero.

 Dia: 6
Horários: às 12h30 e às 19h
Filme: Acratas, direção de Virginia Martínez
Sinopse

Duração: 73min

Dia: 7
Horários: às 12h30 e às 19h
Filme: Idea, direção de Mario Jacob
Sinopse
Produção: Uruguaia
Ano: 1997
Duração: 37min
Direção: Mario Jacob


Dia: 8
Horários: às 12h30 e às 19h
Fime: Uma Forma de Bailar, direção de Alvaro Buela
Sinopse
Produção: Uruguaia
Ano: 1997
Duração: 70 minutos
Direção: Alvaro Buela
Elenco: Leonardo Lorenzo, María Elena Perez, Diego Wajner, Susana Castro, Alejandra Wolf, Jenny Goldstein, María Mendive, Jenny Galvan e Luis Orpi.

Serviço: 1ª Mostra do Cinema Uruguaio
Local: sala Marco Antônio Guimarães - Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul – CRS 508 Bl.A loja 72 – Brasília/DF
Período: 4 a 8 de outubro de 2004 às 12h30 e às 19h

Informações:
Espaço Cultura Renato Russo – 508 Sul
Telefone: 244-0411/443-1559
Entrada franca


Mudança na programação da mostra de vídeos de óperas

A mostra do vídeo da ópera DON CARLO, dentro do Programa Arte Por Toda Parte da Secretaria de Cultura, programada para próximo dia 18 na sala Alberto Nepomuceno do Teatro Nacional Claudio Santoro, foi adiada para o dia 02 de outubro. A mostra, que tem entrada franca, acontece no mesmo local e tem início às 17h.




Escrito por Jaque às 14h43
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Foto: Marcelo Lyra

Bem-vindos à esta casa amarela. Que ela apenas seja cemitério do que represente a negação das nossas raízes e diversidade. Brindemos ao nosso liquidificador cultural cósmico!!!



Escrito por Jaque às 04h23
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                                           Foto: Marcelo Lyra

                                

                                           Amigos,

 

            Algum de vocês ao abrir o jornal deu de cara com uma matéria sobre aquele festival de música que tanto esperava e, lendo com toda a expectativa de amante da boa música, parou o texto antes do meio para xingar a mãe do jornalista? Daí seguiu pensando ‘ perdoe-o, ele não sabe o que escreve’? Passou pela cabeça que aquele puto (com a permissão para o termo) nunca ouviu nenhuma daquelas bandas das quais faz referência ou até mesmo que ele talvez nem tenha ouvidos, tamanhas as injúrias ali contidas?

            Okay, okay. Você pode não ser muito ligado em música. Talvez em dança, teatro, literatura, pintura, animação, cinema... Para qualquer destas opções, pode imaginar um misto de frustração com uma vontade incontrolável de correr ao editor chefe do jornal e pedir a vaga do infame imediatamente.

            Pois bem! O que há por trás desta postura amadora no jornalismo cultural?

            Nesta bendita hora temos duas coisas para deixar registradas como apelo: 1. comentem o que entendem estar acontecendo com o jornalismo cultural 2. independente da resposta, reciclemos.

Este é um espaço para o grito e para a diversidade. Sem maiores pretensões intelectuais, com a delícia de ser espontâneo. E com o propósito de debater, porque sem questionamento a morte está instalada!!!

Usemo-lo, óh companheiros ingressados na guerrilha cultural!! Um espaço modesto, mas que pode ser, como diria Lobão, “uma pequena ameaça de vida”. Um pequeno espaço de proposição, criado por duas futuras jornalistas, temerosas do empobrecimento, da aculturação, da negação de raízes, da ignorância e do comprometimento com valores meramente captalísticos que desconsideram o que se tem para mostrar.

           E que hora melhor para começarmos a experimentar senão já?



Escrito por Jaque às 04h09
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Abaporu - Este é um dos quadros mais importantes já produzido no Brasil. Tarsila pintou para dar de presente para o escritor Oswald de Andrade, seu marido na época. Quando viu a tela, assustou-se e chamou seu amigo, o também escritor Raul Bopp. Ficaram olhando aquela figura estranha e acharam que ela representava algo de excepcional. Tarsila lembrou-se então de seu dicionário tupi-guarani e batizaram o quadro como Abaporu (o homem que come). Foi aí que Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e criaram o Movimento Antropofágico, com a intenção de "deglutir" a cultura européia e transformá-la em algo bem brasileiro. Este Movimento, apesar de radical, foi muito importante para a nossa arte e significou uma síntese do Movimento Modernista, que queria modernizar a nossa cultura, mas de um modo bem brasileiro. O "Abaporu" foi a tela mais cara vendida até hoje no Brasil. Foi comprada pelo colecionador argentino Eduardo Costantini.

 

 

                                               Manifesto Antropófago

                                                 Oswald de Andrade

 


Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

Tupy, or not tupy that is the question.

Contra todas as catequeses.
E contra a mãe dos Gracos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.

O que atrapalhava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.

Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.

Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida.
E a mentalidade prelógica para o Sr. Levi Bruhl estudar.

Queremos a revolução Caraíba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.
A idade do ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Oú Villegaignon print terre. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos.

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo
nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.


Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós. Contra o Padre Vieira. Autor do
nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular.

Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia.
A transformação permanente do Tabu em totem.

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vítima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Kosmos ao axioma Kosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de Senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses (...)

 

P.S: queria ter postado todo, mas não consegui...



Escrito por Jaque às 04h08
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Fotos:Marcelo Lyra

O centro de Dança de Brasília está oferecendo diversas oficinas gratuitas. Quem estava esperando uma desculpa para movimentar-se, pode ir lá. Tem alongamento, balé contemporâneo, dança de salão, afro, jazz, forró, entre outras. Infelizmente não existe ampla divulgação do fenômeno. Em todo caso, segue a programação:


            Às segundas, quartas e sextas, 8h às 9h, oficina gratuita Iyengar Yoga, com Luceni Bortolatto, sala 2. aulas de Ballet Clássico, horários diversos, com Gisèle Santoro, sala 1. às segundas e quartas, 15h às 18h, oficina gratuita de Improvisação e Composição, com Gisèle Rodrigues, sala 3. às segundas e quartas, 19h às 21h30, aulas de Frevo, forró, coco e ciranda, com Jorge Marino, sala 4. às segundas, quartas e sextas, 12h15 às 13h45, oficina gratuita de dança Contemporânea, com Lina Franzão, sala 3. às segundas e quartas, 20h às 22h, sextas das 19h às 22h, sala 3 e aos sábados das 15h às 19h, oficina e ensaio de danças Contemporânea e Moderno, com Luciano Sartori, sala 2. às terças, quintas e sextas, 12h15 às 13h45, oficina gratuita de Alongamento, com Lina Frazão, sala 2. às segundas e quartas, 18h30 às 20h, e terças e quintas das 17h30 às 19h, aula de Ballet Clássico, com Beth Lissa, sala 3. terças e quintas, oficina de Dança do Ventre, com Nara Faria, sala 3. quintas e sextas, 19h às 21h, oficina gratuita de Dança de Salão, com Richard Gomes, sala 4. às terças e quintas, 20h às 21h30, curso de Dança Árabe, com Júlia Tavares, sala 1. terças e quintas, 19h às 21h30, aulas de Dança Afro, Contemporânea e Kempô, com Júlio César, sala 3. aos sábados, 13h às 15h, ensaio e aula de Jazz contemporâneo e Street, com Adriana Talone, sala 2. aos sábados, 17h às 20h, oficina de Contato Improvisação, com Diogo Carvalho e Paola Guzman, sala 3. às terças, 19h às 21h, oficina gratuita de Forró, com Alciney Xavier, sala 4.



Escrito por Jaque às 04h07
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Fiquem de olhos bem abertos para o 37º Festival de Brasília do cinema Brasileiro. Por enquanto ainda estão sendo recebidas as inscrições (até o dia 30/9). Dentro em breve estará sendo divulgada a programação. O Festival de Cinema de Brasília é considerado um dos melhores do país, então, não o percamos! É uma pena que muitos filmes estão indo para o Cine Academia. Claro que tem ótimas salas lá, mas o cine Brasília, além de ser mais underground, é acessível à quem não tem carro. O ideal mesmo seria ter amostras nas Regiões Administrativas não acham? Já imaginaram, eu, tranqüila, lá em Planaltina, assistindo uma mostra de cinema brasileiro? Eita nós!!!



Mais
informações: (61) 325-7777 / 325-6212 - Fax: (61) 325-5366 - Coordenação do Festival de Cinema.



Escrito por Jaque às 04h06
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Quem foi ver Olga? Eu fui.

O mais incrível é que antes de entrar naquela maldita sala de cinema, estava assistindo a uma palestra com Ricardo Noblat sobre A arte de contar histórias. Pra mim ficou claro que o Monjardim, o Dirtor de Olga, sabe bem fazê-lo, ainda que da maneira mais novelística possível.

            Baguncei? Vou esclarecer. Primeiro, se me referi à sala de cinema como maldita, devo contar que era uma sala de shopping, cheia de pentelhos, comedores compulsivos de pipoca e seres supostamente humanos que irritavam tanto pelo barulho que faziam para comer quanto pelos incessantes comentários descabidos, ou seja, monstros do pântano, disfarçados de expectadores. Como tive medo deles!

            Vamos ao filme. Fiquei impressionada com a qualidade da fotografia e da produção. Mas a história ficou bem Rede Globo, nem entendi o porquê de não terem optado por fazer uma mini-série nos moldes de A Casa das Sete Mulheres. Ah, o amor... O filme trouxe a usual simplificação de conteúdos e de discurso. O interessante era a trágica história de amor entre o meloso personagem de Prestes que nunca comera ninguém e a durona comunista que encontrou o amor em terras tupiniquins. Se Olga era defensora da Revolução Francesa ou das idéias do barbudo Lênin, tanto faz. A velha história: quem sabia antes bem, quem não, amém.

            Comentando o assunto com um amigo fui agredida automaticamente: “mas o Fernando Moraes declarou estar satisfeito com o resultado do filme, disse que foi fidedigno (...)”. Não o ouvi dizer isto, mas depois que passei em frente a Livraria Siciliano e vi que a capa da nova edição do livro Olga é uma foto do filme, não duvido que tenha dito mesmo. E veio este amigo dizer: “ que bobeira, quem foi que te disse que o filme teria a pretensão de propor um aprofundamento do comunismo e da militância feminina?”. Tuché para ele, ninguém o disse. Mas, cá entre nós, sempre temos uma pontinha de esperança de ver grandes produções terem o mérito da profundidade.

        Quem gostou do filme, ótimo, afinal terá a sensação de R$12,00 bem pagos. De toda forma, vamos enriquecer as opiniões sobre o filme, sim?

 




Escrito por Jaque às 04h05
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Foto: Marcelo Lyra

                              ECAD: que bicho é esse?

    

por Thaís C. Ferraz

 

           Parte I:
        Era uma vez formandos que desejavam receber os canudos ao som de músicas-tema, algo bastante comum em colações de grau. A certa altura, surgiu um impasse: como fazer com que cerca de 96 alunos percorressem o tapete vermelho em direção ao diploma que deveriam apanhar,cumprimentassem os professores, retornando a seus lugares ao som de apenas 10 segundos de música? Será que eles vão conseguir?

        Eles tiveram que conseguir. Do contrário, pagariam direitos autorais. "Que chato", diz você. Que justo, se nos colocarmos no lugar da Ivete Sangalo, do The Cure e até do Khaled, os autores de algumas músicas em questão. Você não iria achar legal (literalmente falando) constatar que usaram sua obra publicamente e você não recebeu nada por isso, não é?

        Essa fantástica história aconteceu na minha colação de grau, mas poderia ser na sua. Metade dos graduandos era jornalista e eu duvido que qualquer um deles iria querer seus textos distribuídos por aí sem permissão ou sem a contrapartida ($) do suor de seu trabalho.

       Os direitos autorais estão em todo lugar, mas nem sempre são respeitados. Uma das formas mais comuns de negligenciar esses direitos é quando se executa publicamente uma obra sem que o autor ? ou quem detém os direitos autorais ? receba por isso. A partir daí já fica mais fácil entender porque aquele seu amigo que faz covers ao vivo no barzinho deveria estar pagando direitos autorais, bem como o motel que você freqüenta só para ouvir a Sade e o Wando (claro, você vai lá só pelo som ambiente, não é mesmo?). Como quem paga algo paga a alguém, a tradução dessa análise sintática fica assim: o usuário de música paga uma taxa de direitos autorais ao ECAD.




Escrito por Jaque às 04h04
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Parte II   

       Quem paga...


        O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, ECAD, é uma sociedade civil que protege os direitos de execução pública de uma obra musical. Fundado por titulares de direitos, ou seja,"donos" de músicas, e mantida pela Lei de Direitos Autorais de nº 9.610/98, o ECAD tem a responsabilidade de cobrar uma "retribuição autoral" ($) de quem usa música publicamente, além de distribuir o valor arrecadado a quem é devido, como os titulares de direitos. "A importância do ECAD é ser uma empresa que concentra em um único lugar a administração dos direitos autorais. É uma tranqüilidade para os titulares de direitos e para quem paga", diz Antero Salgado, gerente de arrecadação do ECAD. Ou seja, mesmo que uma música toque hoje no Amazonas e amanhã no Rio Grande do Sul, quem paga e quem recebe tem um órgão central ao qual recorrer, com sede no Rio de Janeiro, além de 20 unidades de arrecadação distribuídas por todo país para facilitar o contato.

       Quem tem um estabelecimento onde toque música, seja ele um salão de beleza ou um avião, deve se cadastrar no ECAD e consultá-lo para saber com quanto deve contribuir. A arrecadação é baseada na categoria em que o usuário de música se enquadra. Por exemplo: academias, rádios, TVs e hotéis são usuários de música permanentes e, geralmente, pagam uma taxa mensal. Os espetáculos musicais são considerados usuários eventuais e pagam a retribuição autoral por evento. Alguns outros critérios são adotados para se fixar a taxa a ser paga, como a importância da música no estabelecimento, a atividade exercida pelo usuário e se a apresentação é feita por música mecânica ou ao vivo, com ou sem dança. Vale ressaltar que os valores cobrados e distribuídos pelo ECAD são os mesmos para música nacional e estrangeira.

          Depois de arrecadar os valores, o ECAD retém 18,75% para custos operacionais e repassa o restante para as associações que o compõem (o ECAD é um conjunto delas), como a associação Brasileira de Regentes, Arranjadores e Músicos e a União Brasileira de Compositores. Esses órgãos, por sua vez, ficam com 6,25% por serem responsáveis pelo repasse dos 75% restantes para os "donos de música". Em 2003, segundo dados do site do ECAD, www.ecad.org.br , arrecadou-se R$ 209.360.222,96 e distribuiu-se R$ 156.525.923,88 , sendo 83,3% de obras nacionais e 16,70% internacionais.




Escrito por Jaque às 04h03
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Parte III

       ...Paga a alguém

 
          É um pouco difícil imaginar como o montante arrecadado chega às mãos do artista, já que é longo o caminho da música de uma micareta carioca até o bloco de axé baiano que a gerou. Para distribuir os percentuais justamente, o ECAD se baseia em três categorias. A primeira é a distribuição direta. Os valores arrecadados por shows, TV aberta e cinema são distribuídos com base em uma planilha ou roteiro estabelecido, fornecido por produtores do espetáculo ou obtidos por gravação in loco, feita pelo ECAD. Outra categoria é a distribuição indireta, proveniente da arrecadação sobre locais onde se sintonizem TVs, rádios ou que tenham música ao vivo, como bares e hotéis. Esse tipo de distribuição é feito através de uma amostragem estatística, ou seja, é "recortado um pedaço" da programação mensalmente. A última categoria é a distribuição indireta especial, que compreende festas juninas e carnaval. A distribuição é feita com base na gravação da maior quantidade possível de bailes e festejos populares, que são uma amostragem especial.

     O ECAD vai te pegar


     A essa altura do campeonato, você deve estar pensando que o ECAD está em todo lugar, vigiando você e seu violãozinho na próxima esquina, pronto para cobrar por qualquer iê-iê-iê que toque no seu rádio. Bom, mais ou menos. Há um jeito seguro para você revelar seu talento fazendo covers do Legião Urbana ou esbanjar intimidade com o rebolado do funk carioca na frente de um montão de gente: dê uma festa em seu cafofo. Eu disse "dê". Não é para cobrar entrada. Vai que você acaba sendo visto como casa de festa e espetáculo. Brincadeiras à parte, Antero Salgado, do ECAD, explica por que não pagamos nada por comemorações no conforto de nossos lares: "Quem dá uma festa em casa não precisa arrecadar para o ECAD porque está usando as músicas no recesso familiar". Ou seja, não é considerado exposição pública de obra musical.

      Mas a minha colação de grau também foi superfamiliar! E por que eu pagaria direitos autorais por mais de 10 segundos de música se não estava lucrando com isso? "Porque a forma de cobrança independe da lucratividade que as músicas possam gerar", esclarece Antero Salgado. Paga-se ao ECAD pelo uso das músicas e por sua exposição ao público, não por ganhar dinheiro com elas.

     A outra maneira de escapar do ECAD é tocar obras de domínio público, mas é preciso cuidado para classificá-las como tal. Os compositores devem ter morrido há mais de 70 anos e é bom saber se há alguém, muito vivo, que não comprou os direitos autorais. As músicas podem ser velhas mas as gravações talvez não sejam. E se isso acontecer.... Não pagar ao ECAD é crime, viu?

 

Escrito por Jaque às 04h01
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HIP HOP NO BRASÍLIA MUSIC FESTIVAL,

MAIS DO QUE UM SAPATO MACHUCANDO O PÉ...

 

Parte I

Pessoalmente sempre tive resistência à música eletrônica, na verdade, ao que se convencionou denominá-la. No sábado, 25/9 ganhei uma cortesia para ir ao Brasília Music Festival. Se isto fosse há tempos atrás venderia a entrada ou simplesmente a dispensaria. Acontece que duas coisa me atraíam: a tenda de circo e a de Hip Hop, onde estariam os djs Zé Gonzáles, Hum e Muggs, nomes internacionais no universo das bolachas. Zé Gonzales é ex-Planet Hemp e já produziu Sepultura, Fernanda Abreu, Seu Jorge, Raimundos, entre outros. Muggs é dj do lendário Cypress Hill e Hum, do Thaíde. Explicado?

Mais que animada, aceitei a cortesia e, mesmo estando cansada de uma semana estressante que terminou no sábado às 15 h, decidi conferir. Às 20 me troquei, coloquei um sapato que não calçava há anos e fui, sem me lembrar porque o havia aposentado.

Cheguei no BMF por volta das 22:00 e fui correndo ver o dj Muggs. Ele não estava lá. Seja qual for o nome de quem estava tocando, não tive ânimo para descobrir. Tocava algo que alternava entre charm e gangster, e justamente os sons fm’s mais ouvidos nas lotações a caminho de casa. Nada de rap nacional. Tudo gringuíssimo e de péssimo gosto e qualidade musicais. Nada do movimento hip hop. No cenário, sucatas de carros empilhadas. No palco uma foto enorme do 50 cent. No mais, a descoberta da  indústria cultural: rap, reduzido à moda, vende muito.

Estava eu indignada quando meus amigos chamaram-me para a tenda de Drum’n Bass. Lá estava o dj Patife, a tocar Jackson’s Five e experimentar música eletrônica com outros estilos, dando um verdadeiro show com o cantor Stamine, que fazia R&B da melhor qualidade no improviso. Como tive vergonha de ter pensado tão mal deles antes... como tive vergonha do que estavam chamando de hip hop ali...



Escrito por Jaque às 04h01
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Parte II:

Os caras da música eletrônica realmente ganharam meu respeito. Ande fazia performances com os pés, mostrando sua intimidade com os vinis e colocando todo mundo pra dançar. Foi na tenda Drum’n Bass que vi no telão Mandela, Luther King, imagens de Candomblé e de Jesus. Lá ouvi samplearem Cartola em Dub. Vi raízes, enquanto no telão de hip hop via raper’s americanos, que não nos refletem, falando sobre sexo e dinheiro e passando cartões de crédito em traseiros enormes de americanas negras. Como diria Kelly Key, “é ou não é pra chorar?”.

As lágrimas já estavam nos olhos, primeiro por aquela palhaçada toda, depois porque me recordara há algum tempo o motivo de ter aposentado meus sapatos. Eles estavam disputando pra ver quem me mataria antes, se Beautifull do Snoop Dog no som ou os calos gigantes que começavam a formar-se.

Mas nem tudo foi tragédia. Em meio ao caos surge dj Hum. Com ele fizemos todos uma viagem pelos primórdios da Black Music. Deu samba quando tocou Que Pena com Jorge Ben e soul até uma horas com Tim Maia. No microfone o mc Cabal (que até rimou legalzinho, tirando as vezes  em que combinou pode crê com pra você) chamou o Sindicato Sem Nome para subir ao palco; só havia um dos filiados lá, mas Buen Yo representou bonito (fora o grito “Da Bomb”, que ninguém merecia).

Depois entrou  Zé Gonzáles destruindo nas performances. Aquele lá parece ter nascido com um vinil na mão. Quem queria escutar underground foi pra casa com overdose de bom som. O mais incrível é que ele consegue provar que a história de que o público hip hop quer escutar apenas baladas comerciais não é verdadeira.

Pena que o que era bom durou somente duas horas e Zegon teve que deixar as pick’ups nas mãos do terrorista norte-americano Green Lantern, dj do Eminem. Foi aí que aproveitei para dar atenção aos meus calos. Sentei-me, ainda bem, pois se não o tivesse feito, talvez cairia dura ao ver o Lanterna Verde (risos) no palco, com seus parceiros a exibir tênis Nike último modelo, camisas de time de basquete e bonés aba-reta, distribuindo wísky enquanto chingava nossas pobres mães em inglês. Ouvi as piores músicas de todos os tempos. A sensação era que o cara havia emprestado seus discos e levado apenas os restantes, tamanha quantidade de som repetido.

O mais escandalizante de tudo era prestar atenção que todas as músicas eram baladas lançadas pelo selo do Eminem, o patrão do descarado Lanterna Verde, que deveria ter ficado vermelho de vergonha por ser tão vendido. Como fiquei irritada naquela tenda. Pra piorar, até as seis da manhã nada do Mugs tocar e sequer uma satisfação. Ah se não fossem os djs Zegon e Hum... foi a única hora em que meu pé parou de doer, ou melhor, que não os senti doer.

Não fui na sexta, mas acho que a questão principal, pelo menos a que me motivou a contar minha noite de sábado é a preocupação com o futuro do movimento hip hop em Brasília. Até quando permitir que simplifiquem e banalizem suas idéias e expressões? Quando alguém vai gritar que figuras como Eminem, Nelly, Já rule, 50 cent, Janifer Lopes e cia não o refletem e apresentam aspectos perigosos para sua sobrevivência?

Ainda bem que temos grupos de break, grafiteriros e mcs que oferecem trabalhos consistentes e, quem conhece sabe, que aquela foto do 50 cent, os carros empilhados e os video-clipes machistas, impregnados de racismo e sexo vistos ali não representam o movimento hip hop. O problema é que quem não conhece engole e que muitos que estão no próprio meio aproveitam-se dos que engolem para ganhar dinheiro.



Escrito por Jaque às 04h00
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Foto: Marcelo Lyra

Poder e Cultura: as lutas de resistência crítica

através de experiências teatrais

                                                                                                   por Catarina Sant'Anna

 

O Teatro do Oprimido de Augusto Boal

     Para Boal, a função da arte é criar consciência, uma consciência da verdade, uma consciência do mundo, “não necessariamente verbal ou verbalizável, sistematizável” (Boal,2001:33), consideando-se as diversas formas de organização das coisas empreendidas pela arte, que não somente usa palavras, mas silêncio, cores, sons, ações humanas, no tempo e no espaço, uma vez que a “comunicação estética é a comunicação sensorial e não apenas racional” (Boal,1996:13), múltipla, não uma, como a própria cultura. Para ele, “olhar” é um ato biológico, mas não significa “ver”, que é um ato de consciência –daí discordar de que o povo brasileiro veja muita televisão, por exemplo, já que esta não se deixaria ver. Avalia que hoje já existe uma reação, pelo mundo afora, contra uma robotização das pessoas, as quais não conseguem se ver nem sequer serem vistas pelas outras pessoas: “Implantam em nós a prótese do desejo para que a gente consuma o que eles querem vender. Não querem fazer aquilo que a gente quer ou necessita” (Boal,2001:32). Conclui que nosso comportamento social reproduz em grande parte um padrão, é muito pouco original, nossas ações em grande parte não são conscientes, mas mecanizadas, mecanizamos coisas e até pensamentos, correndo o risco do embrutecimento, da desumanização.

Daí, definir o Teatro do Oprimido como “uma constante busca de formas dialogais, formas de teatro que possam conversar sobre e com a atividade social, a pedagogia, a psicoterapia, a política” (Boal,1996:9).

O “oprimido” seria aquele indivíduo “despossuído do direito de falar, do direito de ter a sua personalidade, do direito de ser” (Boal,2001:33). Grande amigo do educador Paulo Freire, para quem ensino é “transitividade, democracia, diálogo”, denomina seu método de intervenção social e política através do teatro como Teatro do Oprimido, inspirando-se diretamente no título do livro Pedagogia do Oprimido e na crença de que todo mundo pode ensinar e todo mundo pode aprender, que fundamentava a ação dos revolucionários MCPs-Movimento Popular de Cultura, nos anos 60 no Brasil, que empreenderam uma gigantesca alfabetização (também política) da população no campo e nas cidades e foram massacrados pela ditadura (1964-84).



Escrito por Jaque às 03h59
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